NÃO, NÃO ERA "SÓ ESTRESSE"

Quantos de vocês pensaram, falaram ou ouviram, diante dos primeiros sintomas da Esclerose Múltipla, que era "só estresse"?


Comigo foi assim. Depois de um ano extremamente cansativo de trabalho, vivendo com pressão diária, meus sintomas começaram a dar as caras e eu, como qualquer ser humano que vive na correria do mundo moderno, falei para mim mesma: "não é nada, é só estresse, vai passar".

Mas não era estresse, e não passou...


Por isso é muito importante que qualquer tipo de sintoma seja devidamente investigado. Mesmo que você possua diversos fatores estressantes o rodeando, pode não ser "só estresse".

Mas afinal, por que tanta confusão? O que é estresse (ou stress, como queiram)?



O Dicionário Aurélio diz que estresse "é o conjunto de reações do organismo a agressões de ordem física, psíquica, infecciosa, e outras capazes de perturbar a homeostase (equilíbrio)".

A palavra estresse, portanto, caracteriza um mecanismo fisiológico do organismo, ou seja, é o conjunto de ajustes físicos e mentais necessários para otimizarmos nossa performance corporal e cerebral em momentos mais complicados da vida.


Para nossos ancestrais, o mecanismo do estresse foi destinado à sobrevivência diante dos perigos concretos e próprios da luta pela vida. Era o caso, por exemplo, das ameaças de animais ferozes, das guerras tribais, das catástrofes do tempo, da busca pelo alimento, da luta pelo espaço geográfico.


Hoje o termo estresse vulgarizou, sendo amplamente utilizado em nossa linguagem e nos meios de comunicação. Com a civilidade do ser humano, outros perigos apareceram e ocuparam o lugar daqueles "estresses" relacionados à sobrevivência. O estresse do mundo moderno resulta do acúmulo de pequenos problemas que se repetem todos os dias: a promissória a vencer; o compromisso com hora marcada prejudicado pelo congestionamento; a pressão para cumprir metas no trabalho; as dificuldades para edução dos filhos; a preocupação com um país em crise, etc.


Nessas situações, o cérebro fica à flor da pele, reduz o limiar da decisão, o foco no problema distorce a percepcção do que não está em jogo naquele momento. Ficamos menos sensíveis às mudanças ambientais e mesmo a sinais do nosso corpo (sentimos menos dor, vontade de ir ao banheiro, etc.). Existe uma grande liberação de adrenalina e cortisol no sangue.


O trabalho é o principal vilão do estresse. Segundo pesquisas, os brasileiros só perdem para os japoneses entre os povos que mais sofrem com o mal. Os resultados começam a ser sentidos na pele de quem não consegue controlar a ansiedade e irritabilidade. Distúrbios de ansiedade, pânico e depressão, são algumas das doenças que atingem essas pessoas. Quando você não encontra uma maneira de colocar o que te incomoda pra fora, o corpo encontra formas de te mostrar que tem algo errado.



Do ponto de vista neurológico, viver mergulhado no estresse significa perder os detalhes, dar respostas aceleradas e imperfeitas às perguntas que a vida nos coloca. Estressados percebemos menos o outro, não enxergamos alternativas sutis, nos tornamos inábeis e nada criativos. Ficamos mais irritados, impacientes. Ocorrem erros de julgamentos e a tomada de decisão fica comprometida, uma vez que prioriza-se os resultados a curto prazo.


Fica fácil perceber que o estresse é um sistema que deve ser acionado só de vez em quando. O estresse arrastado e desmedido lesa o corpo e mina as relações interpessoais, derruba a imunidade, piora o perfil cardiovascular (agravando o diabetes, a hipertensão, o colesterol alto), descontrola o peso (para mais ou para menos), altera as funções gastrointestinais, atrapalha o sono, o humor, a performance sexual.


O estresse exacerbado pode causar distúrbios denominados neuro-vegetativos, como quadro de astenia (sensação de fraqueza e fadiga), tensão muscular elevada com cãibras e formação de fibralgias musculares (nódulos dolorosos nos músculos dos ombros e das costas, por exemplo), tremores, sudorese (suor intenso), cefaléias tensionais (dores de cabeça provocadas pela tensão psíquica) e enxaqueca, lombalgias, hipertensão arterial, palpitações e até dores urinárias sem sinais de infecção.


Não é difícil perceber que o estresse é extremamente danoso para quem tem Esclerose Múltipla, não é mesmo?


O estresse, depois do diagnóstico da Esclerose Múltipla, pode nos fazer muito mal, seja piorando ou fazendo surgir novos sintomas, ou causando surtos.

De fato, na prática diária, com alguma frequência nos deparamos com situações semelhantes em que um evento com elevado teor emocional antecede em dias ou semanas o aparecimento de um surto da Esclerose Múltipla.


Algumas evidências científicas corroboram estas observações clínicas, mostrando associação entre estresse e a atividade da doença. Por exemplo, já se demonstrou que eventos estressantes do cotidiano estão associados ao aparecimento de novas lesões na ressonância magnética após um período de 4 a 8 semanas.


Mas a relação entre o estresse e a Esclerose Múltipla é ainda mais complexa, pois a própria doença pode ser a desencadeadora desse "sistema de defesa". Diversos pesquisadores notaram que a mudança é um dos mais efeitvos agentes estressores. Assim, qualquer mudança em nossas vidas tem o potencial de causar estresse, tanto as boas quanto as más. Certos eventos em nossas vidas são tão estressantes que caracterizam a situação de trauma (lesão ou dano) psíquico. Quer mudança maior que descobrir que você possui uma doença crônica?


Quando vivemos com Esclerose Múltipla podemos vivenciar diversos tipos de estresse: físico, emocional, social, econômico:


  • As alterações fisiológicas causadas pela doença, como fraqueza, espasticidade, desequilíbrio ou perda de coordenação, podem aumentar as exigências físicas sobre o corpo, causando estresse físico.

  • O estresse emocional pode ser causado pela incerteza e natureza imprevisível da doença, bem como por alterações físicas que ocorrem no cérebro devido a danos neurológicos. Os sintomas mais comuns da Esclerose Múltipla incluem depressão, ansiedade e disfunção cognitiva, que possuem grande relação com o estresse.

  • Relações e obrigações sociais também podem causar estresse quando você vive com uma doença crônica. Exemplos de estressores sociais podem incluir não se sentir aceito ou compreendido por aqueles que o rodeiam; o uso de dispositivos de assistência, como muleta e cadeira de rodas, faz com que as pessoas se sintam inseguras; se sentir deslocado em eventos, principalmente porque a estimulação excessiva causa fadiga.

  • Tal como acontece com a incerteza da doença, a Esclerose Múltipla pode igualmente afetar a capacidade de manter um emprego remunerado. Além disso, a própria doença é cara, seja em razão de medicamentos, seja por adaptações necessárias à convivência com a Esclerose Múltipla, causando extremo estresse financeiro e econômico.


Diversas pesquisas indicam, ainda, que a exposição a fatores estressantes - tais como conflitos, perdas, doenças variadas, entre outros - apresentaram uma evolução mais rápida da doença, sendo o estresse, portanto, considerado um possível fator de risco para o desenvolvimento da Esclerose Múltipla.


Mas e aí, o que fazer para controlar o incontrolável?


O estresse só é negativo quando se torna excessivo. O problema é que, na maior parte das situações do dia-a-dia, somos tomados por tantas preocupações que o estresse em excesso tem se tornado um problema comum nos dias de hoje.


Ouvi certa vez em uma palestra que "o problema não é o estresse, mas a forma como lidamos com ele". Essa frase me marcou pois, hoje, quem não é estressado?


Mas sai sempre ganhando aquele que sabe lidar melhor com situações estressantes, aquela pessoa que conta até 10, 20, 30, antes de tomar decisões baseadas no imediatismo.


Pequenos hábitos, como respiração e mudanças no dia-a-dia ajudam a controlar e evitar esse problema. Seguem algumas pequenas dicas simples para que você consiga conviver melhor com o estresse:

  • Tenha uma alimentação balanceada

  • Pratique atividades físicas

  • Durma melhor

  • Mude sua postura (posicione melhor seu corpo)

  • Procure rir mais

  • Faça sexo

  • Respire direito

  • Auto incentive-se

  • Tenha momentos de lazer

  • Deixe o celular de lado

  • Divida seus sentimentos


FONTES: Revista Neurociências

Revista Veja

Ler Saúde

Drauzio Varella

Health Central

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