O MAL DO SÉCULO: ANSIEDADE!!!

Vivemos numa sociedade urgente, rápida e ansiosa. Nunca as pessoas tiveram uma mente tão agitada e estressada. Paciência e tolerância a contrariedades estão se tornando artigos de luxo.

Com esse trecho da obra de Augusto Cury, chamada Ansiedade: como enfrentar o mal do século, inicio o último Post da série sobre ansiedade!


Ouvimos muito falar de transtornos de ansiedade e, muitas vezes, nos perguntamos se a ansiedade que estamos sentindo precisa ser tratada, já que os principais sinais e sintomas da ansiedade patológica são idênticos aos da ansiedade "normal".

Os transtornos ansiosos são uma condição na qual a ansiedade, como sintoma diretamente relatado ou observado, está anormalmente elevada ou é desproporcional ao contexto ambiental e leva a comprometimentos funcionais, duradouros (sejam profissionais ou pessoais).


Transtornos ansiosos podem ser compreendidos como estados emocionais repetitivos ou persistentes nos quais a ansiedade patológica desempenha papel fundamental. São os transtornos mentais mais frequentes na população: 23% das pessoas tiveram, têm ou irão ter ao longo da vida um transtorno ansioso.


Mas quando a ansiedade passa a ser um transtorno? Quando sua manifestação é desproporcional quanto a intensidade, duração, frequência; quando interfere negativamente no desempenho; quando traz prejuízo funcional.


A seguir serão abordados os transtornos de ansiedade classificados pelos manuais de diagnósticos: transtorno de pânico, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de estresse pós-traumático, transtornos fóbicos, transtorno obsessivo compulsivo e síndrome do pensamento acelerado.


TRANSTORNO DE PÂNICO


O transtorno de pânico é caracterizado por ataques de pânico inesperados e recorrentes acerca dos quais a pessoa se sente constantemente preocupada. Esses ataques ocorrem de forma espontânea; um falso alarme pode ser o que determina o primeiro ataque de pânico, mas os subsequentes dependem da vulnerabilidade psicológica: o "medo de ter medo" aumenta a percepção das sensações corporais e a interpretação dessas mudanças, levando a um círculo vicioso.


Em pessoas com predisposição a ter reações ansiosas, esses ataques podem ficar condicionados a desencadeantes externos (locais ou situações) ou internos (pensamentos ou sensações corporais).


Na vigência do ataque de pânico, a pessoa pode avaliá-lo negativamente, como sinal de perigo iminente (morte, de estar ficando louca ou perdendo o controle), o que gera aumento da ansiedade, dos sintomas físicos e das antecipações catastróficas.

A pessoa fica apreensiva, hiperventilante, antecipa os sinais de que um novo ataque irá acontecer, podendo apresentar comportamentos de esquiva e fobias, evitando situações em que acha que poderá ter ataque novamente e lugares de onde fugir ou escapar possa ser difícil; não saindo nem ficando sozinha; não participando de nenhuma situação em que não possa receber ajuda imediata em caso de necessidade.


O estresse vem sendo apontado como um fator predisponente ao transtorno de pânico. As pessoas com esse transtorno são capazes de identificar estressores que precederam seu primeiro episódio de pânico. Aproximadamente 80% dos pacientes são capazes de descrever um ou mais eventos vitais negativos antes da primeira manifestação de pânico. Encontra-se uma relação contígua entre o transtorno de pânico e eventos vitais adversos anteriores a sua manifestação. A perda de alguém importante, a perda de suporte social, frequentemente, antecedem o transtorno de pânico não só no ano anterior, mas durante a vida toda. A associação entre a morte da mãe e o divórcio/separação dos pais na infância com agorafobia (medo incontrolável de ter ataques de pânico ou de perder o controle físico e/ou emocional num ambiente onde a ajuda pode não estar disponível, ser ineficaz ou simplesmente ser embaraçoso) e ataques de pânico foi encontrada por alguns pesquisadores.


Uma outra linha de investigação é a que diz respeito às estratégias de enfrentamento do estresse. Em uma pesquisa do Ambulatório de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo verificou-se uma associação presente nas dificuldades de enfrentamento de eventos estressores por causa do significado que as pessoas atribuíam a esses eventos e também porque não possuíam um repertório apropriado para lidar com o estresse, ou seja, consideravam o evento mais impactante do que realmente era ou não sabiam o que fazer diante dele (sobre esse assunto, recentemente compartilhei um excelente texto em meu perfil pessoal do Facebook, da Revista Vida Simples: COMO NÃO TER MAIS PROBLEMAS). As estratégias de enfrentamento mais comumente utilizadas pelos pacientes de pânico foram maneiras ineficazes e desadaptadas de lidar com o estresse e os problemas diários.


Os pacientes que vivenciaram o primeiro episódio de pânico com idade mais avançada apresentaram menor comorbidade com outros transtornos psiquiátricos, menor utilização dos sistemas de saúde, menos hipocondria e maior número de comportamentos positivos de enfrentamento.


O transtorno de pânico é considerado, por alguns autores, uma adaptação negativa aos eventos vitais associada à falha em utilizar estratégias efetivas de enfrentamento.


TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA


O transtorno de ansiedade generalizada é uma perturbação crônica caracterizada por preocupações permanentes, irreais ou excessivas, ou mesmo incontroláveis, com os pequenos problemas do cotidiano.


Pacientes com transtorno de ansiedade generalizada pensam ter saúde emocional regular ou baixa; suas preocupações estão ligadas a eventos vitais estressantes, sejam eles adversos ou não.


Acredita-se que os fatores genéticos possam interferir na predisposição do indivíduo para esse tipo de transtorno. Um ambiente estressante, particularmente na infância, pode também ser predisponente à ansiedade generalizada, da mesma forma que determinadas crenças ou determinados princípios de vida podem predispor um indivíduo à ansiedade.


TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO


O transtorno de estresse pós-traumático, como o próprio nome indica, é derivado de eventos críticos, traumáticos, tais como: assalto violento, sequestro, tortura, catástrofes naturais, violência sexual, experiências de combate vividas por soldados, policiais ou bombeiros.


Esse transtorno é diagnosticado, normalmente, se o trauma ocasionar comprometimento na vida social e relacionada ao trabalho, ou se os seguintes sintomas persistirem por, em média, quatro semanas:

  • Sintomas de revivescência: o trauma é constantemente revivido pelo indivíduo acometido por meio de lembranças intrusivas (imagens do evento, pensamentos ou percepções), pesadelos envolvendo o evento traumático, flashbacks que causam a sensação de o evento estar ocorrendo novamente e grande sofrimento psíquico quando o indivíduo é defrontado com estímulos que lembrem o trauma;

  • Sintomas de reatividade fisiológica: o indivíduo sente-se irritável ou passa a ter explosões de raiva, permanece vigilante todo o tempo, fica facilmente sobressaltado e com dificuldade de se concentrar em atividades rotineiras;

  • Sintomas de esquiva pesistente e entorpecimento emocional: esforços para evitar pensamentos e sentimentos associados com o trauma, esforços para evitar atividades, locais ou pessoas associadas com o trauma, redução do interesse nas atividades, sensação de distanciamento em relação a outras pessoas, sentir-se emocionalmente entorpecido ou incapaz de ter sentimentos amorosos pelas pessoas que lhe são mais próximas e falta de expectativa positiva em relação ao futuro.


Acredita-se que no transtorno de estresse pós-traumático o indivíduo apresente dificuldade de processar o acontecimento do trauma em conjunto com as outras informações que mantém arquivadas em sua memória. As situações por nós vividas são registradas na nossa memória autobiográfica, que tem um contexto espaço-temporal específico, ou seja, lembramos quando e onde aconteceram.

A memória de um evento traumático, por não ser um hábito, e sim uma situação que foi vivida, deveria ser arquivada junto com as outras memórias autobiográficas, mas indivíduos acometidos de transtorno de estresse pós-traumático teriam dificuldade de integrar a memória trumática no sistema de memória autobiográfica e tenderiam a manter as informações no sistema de memória relacionado à memória implícita, que engloba, entre outros, aspectos relacionados a hábitos ou emoções


TRANSTORNOS FÓBICOS


Os medos podem ser classificados pelas situações ou pelos estímulos que os geram ou pela intensidade da reação. Assim, a reação de medo pode se tornar muito intensa e, quando isso acontece, passa a ser denominada fóbica.


Fobia é o medo persistente e irracional de um objeto específico, atividade ou situação não considerada perigosa - normalmente não afeta a maioria das pessoas. Resulta em um desejo irresistível de esquivar-se ou de evitar tal estímulo. A pessoa reconhece que seu medo é excessivo e irracional.

Se o comportamento de fuga ou esquiva não é possível, o contato é realizado com grande sofrimento e comprometimento do indivíduo, que se apresenta tenso, apreensivo, inquieto, com alterações motoras, cognitivas e do sistema nervoso autônomo.


Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Psiquiátrica Americana, há três grandes grupos de quadros fóbicos: a agorafobia, a fobia social e as fobias específicas.


A agorafobia tem como conotação atual o "medo do medo", isto é, o medo de sofrer ataques de pânico e não ter como fugir para um local seguro em que se possa ter auxílio médico, por exemplo. Ou, na definição originária, é descrita como o medo de estar em situações nas quais a fuga possa ser difícil e/ou que requeira a presença de uma companhia.

A fobia social também é caracterizada pela apresentação de reações fóbicas, mas que só ocorrem se o indivíduo estiver se desempenhando na presença de outras pessoas. Envolve reações de pânico como no transtorno de pânico, com todas aquelas sensações: taquicardia, sensação de falta de ar, dormência ou formigamentos, tremores, pernas bambas, rubor, etc.. O principal medo que afeta uma pessoa com fobia é o que ocorre na situação de falar em público. Nesses momentos, os fóbicos sociais acreditam que os outros constatarão todas as suas deficiências.

Finalmente o terceiro tipo de medo patológico é o constituído pelas fobias específicas. Essas são caracterizadas pelos medos de lugares altos, fechados, de insetos (baratas, aranhas), de pequenos animais (cães, gatos, ratos, morcegos, aves), de cobras, lagartos, de sangue, injeção, etc.. Exposto ao objeto de fobia, como um desses mencionados, o indivíduo também terá ataques de pânico com todas as sensações corporais já descritas, acompanhadas de cognições como "vou cair", "vou desmaiar se isso me tocar", "vai doer muito".


TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO


O transtorno obsessivo compulsivo é caracterizado por obsessões e compulsões suficientemente severas que consomem tempo e causam sofrimento acentuado ou prejuízo significativo para o portador e são consideradas excessivas ou irracionais.


Obsessões são pensamentos, impulsos, imagens repetidas e indesejáveis, experimentados como intrusivos e inadequados e que causam ansiedade ou sofrimento. Compulsões são comportamentos repetitivos ou atos mentais que a pessoa se sente compelida a executar em resposta, normalmente, a uma obsessão.


Trata-se de um tratamento crônico, ocorrendo fases de melhora e piora em situações de estresse, mesmo que positivo. Os desencadeantes podem ser internos ou externos. Sentindo um mal-estar semelhante ao provocado pelos sintomas de pânico, o paciente busca reasseguramento das pessoas à sua volta e apresenta urgência em ritualizar, encontrando alívio pós-ritual.


O comportamento de evicção leva a uma vida extremamente limitada, trazendo sensação de fragilidade e vulnerabilidade, e ao mesmo tempo a consciência de que aquilo é absurdo, pensamentos sem lógica, superstições angustiantes e imperativas. Em geral os pacientes apresentam exagero de responsabilidades e excesso de sentimento de culpa.


Há evidências de prejuízo no rendimento profissional ou escolar, repetição de algumas perguntas desnecessárias, atrasos constantes, demora para finalizar tarefas rotineiras, mãos avermelhadas, gasto de papel e lentidão.


SÍNDROME DO PENSAMENTO ACELERADO


É comum entre quem tem a síndrome do pensamento acelerado ter a sensação de estar sendo esmagado pela rotina, com aquela impressão de que 24 horas são insuficientes para cumprir tudo o que você tem planejado para o dia. Há o sentimento persistente de apreensão, falta de memória, déficit de atenção, irritabilidade e até o sono alterado.


Especialistas dizem que a síndrome do pensamento acelerado não é uma doença, mas sim um sintoma vinculado a um quadro de transtorno de ansiedade, assim como os acima citados.

Já Augusto Cury afirma que se trata de uma doença singular, com causas e sintomas específicos. E vai mais longe, diz o Autor que o mal do século não é a depressão, como muitos afirmam, mas sim um mal que considera mais grave, apesar de menos perceptível: a síndrome do pensamento acelerado.

Para ele, pensar é bom, pensar com lucidez é ótimo, porém pensar demais é uma bomba contra a saúde psíquica, o prazer de viver e a criatividade. E complementa que, não são apenas as drogas psicotrópicas que viciam, mas também o excesso de informação, de trabalho intelectual, de atividades, de preocupação, de uso de celular. [...] Desacelerar nossos pensamentos e aprender a gerir nossa mente são tarefas fundamentais.


O Autor enumera alguns dos sintomas da síndrome do pensamento acelerado. Reparem como esses sintomas estão diretamente relacionados com outras doenças, principalmente as crônicas:


  1. Ansiedade

  2. Mente inquieta ou agitada

  3. Insatisfação

  4. Cansaço físico exagerado (fadiga); acordar cansado

  5. Sofrimento por antecipação

  6. Irritabilidade e flutuação emocional

  7. Impaciência; tudo tem que ser rápido

  8. Dificuldade de desfrutar a rotina (tédio)

  9. Dificuldade de lidar com pessoas lentas

  10. Baixo limiar para suportar frustrações (pequenosproblemas causam grandes impactos)

  11. Dor de cabeça

  12. Dor muscular

  13. Outros sintomas psicossomáticos (queda de cabelo, taquicardia, aumento da pressão arterial etc.)

  14. Déficit de concentração

  15. Déficit de memória

  16. Transtorno do sono ou insônia'.


A síndrome do pensamento acelerado está, comumente, relacionada como o déficit de memória e de atenção, que atinge as mais diversas pessoas nos mais variados níveis. Há pessoas tão esquecidas que têm dificuldade de lembrar nome de colegas de trabalho, onde colocaram a chave do carro ou onde o estacionaram. Esquecimentos corriqueiros são um clamor positivo do cérebro, nos avisando que a luz vermelha acendeu, que a síndrome do pensamento acelerado asfixiou nossa mente a tal ponto que está comprometendo seriamente a qualidade de vida. O déficit de memória corriqueiro é uma proteção cerebral e não um problema, como muitos médicos pensam.


O cérebro bloqueia certos arquivos da memória numa tentativa de diminuir o excesso de pensamentos produzidos pela síndrome do pensamento acelerado. As pessoas que têm um trabalho intelectual excessivo, como juízes, promotores, advogados, executivos, médicos, psicológos, professores, em tese, desenvolvem esta síndrome mais intensamente. E as pessoas mais dedicadas e eficientes estão, com frequência, mais fortemente estressadas, vinculadas às causas da síndrome do pensamento acelerado, que são:


  • Excesso de informação

  • Excesso de atividades

  • Excesso de trabalho intelectual

  • Excesso de preocupação

  • Excesso de cobrança

  • Excesso de uso de celulares

  • Excesso de uso de computadores.


No vídeo abaixo o psiquiatra, psicoterapeuta, cientista e escritor Augusto Cury comenta um pouco sobre a síndrome do pensamento acelerado e seu livro Ansiedade: como enfrentar o mal do século, que será sorteado pelo Blog EMparaLeigos. Confira:


Encerrando a série de Posts sobre ansiedade, o Blog EMparaLeigos sorteará três livros "ANSIEDADE: COMO ENFRENTAR O MAL DO SÉCULO", do Augusto Cury.

Para participar, basta preecher o FORMULÁRIO (Cadastro de Sorteios) com as informações necessárias e torcer!

O resultado do sorteio será divulgado no dia 10 de maio de 2015.

FONTES: LIPP, Marilda (org.). Sentimentos que causam stress: como lidar com eles. 3. ed. Campinas, SP. Papirus, 2012.

CURY, Augusto. Ansiedade: como enfrentar o mal do século. São Paulo, Saraiva, 2014.


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