A MULHER E A ESCLEROSE MÚLTIPLA - Dia Internacional das Mulheres

Patologia autoimune que atinge o Sistema Nervoso, a Esclerose Múltipla atinge mais de 2.5 milhões de pessoas no mundo e cerca de 35 mil brasileiros, de acordo com a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem).


A doença afeta as mulheres desproporcionalmente, que chegam a ter três vezes mais chances de desenvolver a Esclerose Múltipla que os homens, sendo diagnosticadas com mais frequência entre os vinte e trinta anos.


Como a causa da Esclerose Múltipla ainda não é efetivamente conhecida, também não há comprovação para os motivos desta desproporção entre homens e mulheres. Contudo a maioria dos estudos apontam que diferenças genéticas e hormonais seriam responsáveis por essa assimetria.


Apesar da desproporcionalidade existente entre o diagnóstico entre homens e mulheres, a Havard Medical School (HMS) relata que as mulheres não costumam experimentar sintomas mais severos da Esclerose Múltipla que os homens. Contudo, existem questões específicas que preocupam as mulheres portadoras da doença, quais sejam:


  • EM e o ciclo menstrual

  • EM e contracepção

  • EM e menopausa

  • EM, gravidez e parto


Confira abaixo:


O ciclo menstrual


Mulheres com Esclerose Múltipla dizem que seus sintomas pioram quando estão próximas de seus períodos menstruais, principalmente fraqueza, equlíbrio, fadiga e depressão.


Pouco antes, e durante a menstruação, a temperatura corporal tende a subir um pouco, e isso pode fazer com que os sintomas da Esclerose Múltipla fiquem piores.


Alguns medicamentos utilizados para tratar a EM e seus sintomas, como beta interferon e antidepressivos, também podem ter efeito sobre o ciclo menstrual, como períodos irregulares ou "manchas" entre os períodos.

Estes efeitos tendem a melhorar por conta própria, depois de alguns meses de tratamento.


Se lidar com a menstruação tornou-se um problema depois do diagnóstico, você pode pensar em minimizar os períodos ou até mesmo pará-los completamente. Existem várias maneiras de fazer isso, com o uso de certos tipos de pílulas anticoncepcionais ou dispositivos intra-uterinos à base de hormônios.


Converse com seu médico sobre o assunto e entenda quais são as melhores opções para você.


Contracepção


Como a Esclerose Múltipla não afeta a fertilidade, as decisões usuais sobre o controle de natalidade precisam ser feitas levando-se em consideração cada situação específica. Encontrar o melhor método de contracepção é importante para todas as mulheres, e aquelas que possuem Esclerose Múltipla geralmente podem usar qualquer um dos métodos disponíveis.


É importante considerar, ainda, que certos medicamentos utilizados para o tratamento da Esclerose Múltipla não foram testados em mulheres grávidas e, por isso, não se tem notícias sobre a (má) formação dos fetos. Nesse sentido, indica-se a contracepção até que o medicamento seja eliminado do organismo.


Ao fazer escolhas sobre contracepção, é uma boa ideia considerar fatores como a destreza manual e coordenação, outros medicamentos que está tomando e possível risco de infecções. Esta escolha deve ser realizada em conjunto com os médicos neurologista e ginecologista.


Menopausa


Durante a menopausa o organismo feminino deixa de produzir estrogênio em quantidade significativa. Contudo, não há nenhuma evidência que demonstre um efeito positivo ou negativo dessa queda hormonal na taxa de recidiva ou progressão da Esclerose Múltipla.


Alguns sintomas, como fadiga e problemas de bexiga podem, contudo, piorar.


Todos os tipos de terapia de reposição hormonal, entretanto, podem ser utilizados em mulheres com Esclerose Múltipla (comprimidos, adesivos, géis, implantes). Mas a decisão sobre a necessidade de uma terapia de reposição hormonal e qual seria a melhor delas deve ser tomada juntamente com o médico especialista.


Gravidez e Parto


A maioria das mulheres que têm Esclerose Múltipla foram diagnosticadas em seus vinte e trinta anos, num momento em que a maioria das mulheres está pensando em iniciar uma família.

Ser diagnosticada com Esclerose Múltipla não deve impedir nenhuma mulher de ter um bebê, mas um planejamento cuidadoso com a família, amigos e médicos torna-se mais importante.


Engravidar


A Esclerose Múltipla não afeta a fertilidade das mulheres. No entanto, alguns medicamentos utilizados em seu tratamento podem ter efeito sobre o ciclo menstrual; e alguns medicamentos não são seguros durante a gravidez.


Se você estiver tomando qualquer medicamento, e decide tentar engravidar, o conselho é aguardar o tempo necessário para eliminação (que varia de medicamento para medicamento), após a interrupção do tratamento. É importante discutir os seus medicamentos com o seu médico antes de fazer qualquer alteração, uma vez que pode ser perigoso interromper qualquer tratamento de forma repentina.


Gravidez e Surtos


Tem havido muitos estudos para examinar o impacto da gravidez na Esclerose Múltipla. Todos eles mostram que a gravidez parece ter uma influência protetora positiva sobre a doença, com as taxas de surtos em declive, especialmente durante o terceiro trimestre da gravidez (entre seis e nove meses). As razões para que isto ocorra não são completamente compreendidas, mas acredita-se que os níveis hormonais desempenhem esse papel positivo.


No entanto, nos três primeiros meses depois do nascimento do bebê, o risco de um surto aumenta. E acredita-se que isto ocorra porque os hormônios retornam aos níveis pré-gravidez.


Pesquisas sugerem que surtos pós-gravidez não aumentam os níveis de progressão da doença a longo prazo. Em outras palavras, o efeito glogal da gravidez sobre a doença é neutro.


Gravidez e Sintomas da Esclerose Múltipla


Embora as mulheres possam ter menos surtos durante a gravidez, outros sintomas da Esclerose Múltipla tendem a piorar, são eles:

  • Fadiga

  • Equilíbrio

  • Dores nas costas

  • Problemas de bexiga e intestino


Medicação durante a Gravidez


Conforme já mencionado, a maioria dos medicamentos utilizados para o tratamento da Esclerose Múltipla não foram testados em mulheres grávidas, não havendo comprovação sobre seus efeitos sobre a (má)formação do feto.


Por isso, se você ficar grávida durante o tratamento, você deve consultar seu médico imediatamente.


Para determinar quais medicamentos você deve parar de tomar durante a gravidez, os médicos vão levar em consideração os riscos que isso representa para você e para o bebê.


Gravidez e Parto


Diversos estudos têm mostrado que as mães com Esclerose Múltipla podem ter gravidez e bebês tão saudáveis como qualquer outra mãe, não havendo nenhuma pesquisa que demonstre que a Esclerose Múltipla aumente o risco de gravidez ectópica (quando o feto se desenvolve nas trompas de falópio), aborto, anormalidades ou nascimento prematuro.


Ter Esclerose Múltipla não significa que haverá necessidade de uma cesariana, mas os anestésicos são seguros.


O que vai acontecer depois de eu ter o meu bebê?


Se você tem ou não Esclerose Múltipla, o período imediatamente após o nascimento pode ser muito cansativo e pode levar um tempo para se adaptar às exigências de ter um bebê para cuidar. Para as mulheres com Esclerose Múltipla o planejamento para garantir que há apoio durante este tempo é particularmente importante.


Você pode entrar em contato e fazer listas de familiares e amigos que podem ajudar com tarefas específicas, e saber mais sobre os serviços de saúde locais e grupos de apoio. Muitas mulheres acham reconfortante saber que há fontes locais de apoio disponíveis, e ter um planejamento torna a vida mais fácil quando o bebê nasce.


FONTES: MS Society UK

Healthline


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