A IMPORTÂNCIA DA BOA SAÚDE MENTAL PARA A ESCLEROSE MÚLTIPLA


No dia 10 de outubro é celebrado o Dia Mundial da Saúde Mental, que possui o objetivo de aumentar a conscientização sobre os problemas envolvendo a saúde mental ao redor do mundo, mobilizando esforços em prol das questões mentais. O tema do Dia Mundial da Saúde Mental de 2014 é "Vivendo com Esquizofrenia". A Esquizofrenia é um transtorno psiquiátrico que afeta cerca de 1% da população, cujos sintomas incluem perda de contato com a realidade, alucinações, pensamentos desordenados, índice reduzido de emoções e alterações nos desempenhos sociais.


Quando pensamos no conceito de saúde é natural pensar no bem-estar físico, porém, a saúde mental possui um papel fundamental para uma vida plena. O conceito da "mente sã, corpo são" tem grande fundamento. O organismo do ser humano é bastante amplo e possui aspectos fisiológicos, emocionais, mentais e espirituais, de modo que o bem-estar de uma pessoa é definido com base no equlíbrio deses quatro aspectos relevantes


É importante ressaltar que saúde mental e saúde emocional não são a mesma coisa, porém, as duas têm uma relação íntima. Por exemplo, um indivíduo que está com uma doença mental não está emocionalmente saudável. Em grande parte dos casos de doença mental são os problemas emocionais que desencadeiam as complicações da mente.


Dessa forma uma maneira de manter a saúde mental em dia é cuidar da saúde emocional. Pode-se dizer que a saúde emocional é um estado de bem-estar em que a pessoa é capaz de utilizar as suas habilidades em seu favor, de poder lidar com fatores estressantes da vida de forma tranquila, além de ser produtiva e contribuir com a sociedade.


Segundo a Organização Mundial de Saúde, mais de 350 milhões de pessoas no mundo sofrem, por exemplo, de depressão. Este número não é totalmente surpreendente quando se considera as provações da vida moderna. Mas ter uma doença desafiadora como a Esclerose Múltipla pode aumentar o estresse diário e tornar as pessoas ainda mais suscetíveis à doenças mentais. Na verdade, cerca de 50% das pessoas com Esclerose Múltipla consultam com algum médico a respeito da depressão em algum momento.


Diante de uma doença crônica, muitas vezes progressiva, como a Esclerose Múltipla, as pessoas tendem a concentrar-se na sua saúde física e negligenciar sua saúde mental e emocional, componentes essenciais da saúde geral e bem-estar. Essas pessoas tendem a presumir que estar muito ansioso ou deprimido é "natural" perante os desafiosa da vida com Esclerose Múltipla. Mas é essencial reconhecer e lidar com as alterações significativas de humor.


A Esclerose Múltipla pode ter um impacto significativo sobre as emoções de uma pessoa, não só por ser uma doença crônica, desafiadora de se conviver, imprevisível - em razão dos possíveis surtos, a qualquer momento, e a preocupação sobre como a doença poderá progredir no futuro -, mas porque afeta partes do cérebro que controlam o humor, havendo estudos, inclusive, que relacionam o número de lesões no cérebro com maiores taxas de depressão. Em outras palavras, alterações de humor são consideradas sintoma da Esclerose Múltipla, assim como as reações a estas alterações.


As alterações de humor/doenças mentais mais comuns incluem:


  • Luto

  • Depressão

  • Mau Humor e Irritabilidade

  • Ansiedade


Luto e tristeza são reações naturais para os tipos de mudanças e perdas que a Esclerose Múltipla pode causar na vida de uma pessoa. Estas sensações provalmente vão ir e vir durante o curso da doença. Preocupações e medos também são normais em face da imprevisibilidade ralacionada à Esclerose Múltipla, e qualquer um pode se tornar um pouco irritado quando confrontados com difíceis desafios. No entanto, a depressão, a ansiedade persistente e a irritabilidade extrema nunca podem ser considerados "naturais"ou "normais". Embora muito comuns em qualquer pessoa com Esclerose Múltipla, essas mudanças de humor são merecedoras de tratamento, como qualquer um dos sintomas físicos da doença.


A depressão é, certamente, o sintoma mental mais comum da Esclerose Múltipla, devendo, por isso, ganhar um cuidado especial. Ainda, alguns imunomodulares utilizados para o tratamento da Esclerose Múltipla, como os interferons, possuem a depressão como efeito colateral. Para ler mais sobre a depressão e a identificação de seus sintomas, leia o seguinte artigo: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/8-sinais-de-que-voce-pode-estar-com-depressao.


Alterações de humor ou doenças mentais, como a depressão, não são um sinal de fraqueza, na verdade, lidar com estas questões é um sinal de força. Aqui vão algumas dicas:


  • Obter ajuda começa com o reconhecimento de que as mudanças emocionais afetam significativamente a qualidade de vida e merecem tanta atenção como um sintoma físico;

  • Tenha em mente que os membros da família, assim como a pessoa com Esclerose Múltipla, podem apresentar alterações de humor ou doenças mentais;

  • Lembre-se que na Esclerose Múltipla, alterações de humor podem ser um sintoma da doença, bem como uma reação a seus desafios;

  • Detectando alguma alteração, peça imediatamente ao seu neurologista o encaminhamento a um profissional de saúde mental com conhecimento sobre Esclerose Múltipla;

  • Converse com outras pessoas, pessoalmente ou online, para obter suporte e dividir experiências.


É importante mencionar, também, que existem outras doenças mentais não tão comuns relacionadas a Esclerose Múltipla, como, por exemplo, a Síndrome Pseudobulbar. Cerca de 10% das pessoas com Esclerose Múltipla experimentam episódios incontroláveis de riso e/ou choro, totalmente fora de proporção e não relacionados com a forma como a pessoa realmente está se sentindo.


Outro transtorno mental pouco comum (ou pouco detectado) relacionado com a Esclerose Múltipla é o Surto Psicótico, que pode ser desencadeado com a corticoterapia (pulsoterapia) utilizada para conter a inflamação do cérebro em momentos de surto da Esclerose Múltipla. Surto Psicótico é quando a pessoa passa a apresentar, de maneira súbita, os sintomas de delírios e alucinações.


Os delírios são juízos falsos da realidade, produzidos de maneira patológica. Em termos mais claros, os delírios indicam que a pessoa está com alterações do pensamento que a fazem acreditar em coisas que não existem. Por exemplo, a pessoa pode crer que está sendo perseguida por outros que lhe querem fazer algum mal, prejudicá-lo e até matá-lo, sejam policiais, sejam bandidos, sejam os vizinhos, ou mesmo os familiares. Ou a pessoa pode achar que nas ruas os outros estão falando ao seu respeito, mesmo quem não o conhece, que câmeras de TV o vigiam que os telefones estão grampeados. Pode também pensar que podem ler o seu pensamento, que a televisão lhe manda mensagens. Pode ser um delírio de ciúme, em que a pessoa tem certeza de estar sendo traído, ou um delírio erotomaníaco, em que a pessoa pensa que é amada por outra pessoa, em geral famosa ou mais rica.


As alucinações são alterações do senso percepção. Nós adquirimos conhecimento do que está ao nosso redor através do percebemos pelos nossos cinco sentidos, a visão, a audição, o olfato, o paladar e o tato. Uma alteração cerebral pode fazer com que possamos perceber coisas que na verdade não existem, como ouvir vozes de pessoas conversando, sendo que não há ninguém falando. O mesmo funciona para os demais sentidos, podemos ver coisas que não estão lá, sentir cheiros e gostos desagradáveis, além de sentir toques ou beliscões que não existem. Não é que a pessoa está imaginando uma voz ou outra sensação, ela realmente está ouvindo, mas essa é uma produção do cérebro doente.


Quem geralmente percebe isso é alguém bem próximo da pessoa, como os pais ou companheiros, que notam que ela começa a agir de maneira diferente do seu habitual, está mais irritadiça, dorme menos, às vezes manifesta preocupações com temas filosóficos ou religiosos, passa a ir mal na escola ou no trabalho. Isola-se dos amigos, perde o interesse em algumas atividades.


Todos os distúrbios e doenças mentais merecem enorme atenção, principalmente quando a pessoa já tem que lidar com uma doença crônica como a Esclerose Múltipla, que amplifica todas as dificuldades enfrentadas no dia-a-dia. O psiquiatra é o médico recomendado para realizar o diagnóstico e indicar o melhor tratamento para os casos de doença mental, mas algumas dicas básicas podem preservar sua saúde mental:



  • Tenha pensamento positivo: o ser humano tem como ponto de partida o pensamento, depois de pensar a pessoa sente e, por fim exterioriza. Sendo assim, pensamentos positivos podem criar sentimentos positivos e, assim, melhores ações.

  • Seja mais otimista: seguindo o reciocínio acima, é importante ser mais otimista, ao invés de ver um copo meio vazio, ver um copo meio cheio (Sugestão: O Poder do Otimismo).

  • Tenha tempo para fazer o que você gosta: todo mundo precisa de satisfação em sua vida. Tente escolher um trabalho que te realize verdadeiramente e que não seja um grande sacrifício; tenha um hobby para descontrair o seu dia-a-dia (leitura, cinema, artes); pratique uma atividade física.

  • Cuidado com o isolamento: ter alguns momentos de solidão é bom e importante para a saúde mental, porém, com limites. Quando estes momentos ultrapassam os limites da normalidade você pode estar se isolando e perdendo a oportunidade de conviver com outras pessoas.

  • Estabeleça objetivos e tenha sonhos: uma forma de manter a sua mente saudável é estabelecer objetivos na sua vida, ou seja, ter sonhos que deseja realizar, estabelecendo as metas para isso.

  • Tenha tempo para você: uma das principais doenças modernas é o estresse, todo mundo está sempre correndo para resolver alguma coisa e se esquece de ter tempo para si mesmo. Faz parte de uma vida saudável ter tempo para as suas realizações. Tenha momentos para se dedicar a fazer algo que seja realmente importante para você como passar algumas horas brincando com o seu cachorro, por exemplo. Lembre-se de parar quando sentir que isso é necessário e de simplesmente fechar os seus olhos e aproveitar um momento feliz quando este acontecer. Viver pode ser muito complicado, mas também pode ser muito bom desde que você saiba aproveitar o que a vida lhe dá de bom todos os dias.


FONTES: World Health Organization

Mental Health Foundation

Living Like You

National MS Society

Cultura Mix

Dr. Deyvis Rocha - Psiquiatra

UNIFESP - Psiquiatria na Prática Médica


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