COMO ACEITAR O DIAGNÓSTICO DA E.M.

Diagnosticar a Esclerose Múltipla não é tarefa fácil, pois não existe um "marcador específico", um exame que confirme ou não a doença. Isto, aliado ao desconhecimento sobre a doença, faz com que aceitá-la seja uma tarefa muito difícil.


No meu caso o diagnóstico veio por meio de uma ressonância magnética bem conclusiva, juntamente com exames clínicos e laboratoriais, que descartaram qualquer outra possibilidade. Em janeiro de 2014 tive meu primeiro surto e a primeira internação para pulsoterapia*.


O susto foi muito grande, para mim e minha família. Parecia errado receber uma notícia como esta aos 26 anos, cheia de vida e de sonhos. A verdade é que ninguém espera receber a notícia de que possui uma doença crônica, que te acompanhará pelo resto da vida, e que não há escolha senão aprender a conviver com ela.


Os médicos dizem que os portadores de doenças crônicas passam por cinco estágios de luto até atingir a aceitação da doença, são eles: negação, raiva/isolamento, negociação/diálogo, depressão e, finalmente, aceitação. Não há um tempo certo no qual a pessoa passará por essas fases, será diferente para cada um. O mais importante é saber que esses sentimentos são normais e não há motivo para sentir culpa.


O certo é que quando se recebe um diagnóstico de Esclerose Múltipla (ou qualquer doença crônica) toda a família é afetada. No meu caso minha família adoeceu comigo e, em alguns momentos, senti que deveria ser forte para confortá-los, quando, na verdade, estava em luto profundo. A incerteza que a Esclerose Múltipla traz consigo é extremamente desesperadora.


Todos têm dito que devo viver um dia por vez, sem ansiedades ou expectativas, mas não é nada fácil tentar deixar de lado um diagnóstico desses e viver bem, como se nada fosse. Me descobrir doente fez com que me desse conta que não tenho o mínimo controle sobre meu corpo e minha vida, e entender isso, acredito eu, deixa qualquer um sem chão.


Uma coisa, ao menos, já aprendi sobre a minha vida a partir de agora: devo aceitar meus limites e a não ultrapassá-los... O esforço físico tira a força dos esclerosados, e o estresse mental pode causar novos surtos. Portanto, equilíbrio é a chave para que minha vida seja plena e feliz.


* O termo pulsoterapia significa a administração de altas doses de medicamentos por curtos períodos de tempo. Na Esclerose Múltipla utiliza-se a pulsoterapia com corticóides sintéticos no tratamento dos surtos. O prescrito mais comumente chama-se metilprednisolona (Solu-Medrol®). Este medicamento, administrado em curso de 3 a 5 dias, via endovenosa, encurta a duração dos surtos, pois age diminuindo a inflamação e apresenta início de ação rápido. (Fonte: ABEM)


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